Raimundos traz para Santa Catarina turnê de 20 anos

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Comemorando 20 anos de estrada, os brasilienses do Raimundos passarão por Santa Catarina em quatro shows neste mês de abril. A primeira data é amanhã, dia 3, em Urussanga, no Ventuno Pub (mais informações aqui). No sábado, dia 4, a banda toca em São Francisco do Sul, no Banana Joe (informações aqui). O grupo ainda retorna ao Estado para mais duas apresentações neste mês: no dia 17 em São Bento do Sul (informações aqui) e dia 18 em Timbó (informações aqui).

Ícone do rock nacional nos anos 90 e 2000, o Raimundos está celebrando os 20 anos com uma turnê especial, repleta de hits. O quarteto, que ainda conta com Digão e Canisso da formação clássica, lançou no ano passado o disco de estúdio Cantigas de Garagem, que agradou tanto a imprensa quanto ao público. Recentemente o Raimundos lançou o clipe da música Gordelícia, extraída deste álbum, que você confere abaixo:

Entrevista: Paulo Reis comenta seu EP duplo

Do indie rock ao erudito, Paulo Reis, músico e compositor de São Francisco do Sul, mostra um leque de referências e boas canções em seu novo trabalho, o EP duplo “Os covardes não vão para o céu”, dividido nos volumes ‘Queda’ e ‘Pardal’. Lançado este mês na web, o EP traz 10 faixas e levou mais de um ano para ser concluído. De novembro de 2013 a janeiro de 2015 ele foi pré produzido no Green Room Estúdio e gravado, mixado e masterizado no 2K Estúdio. Confira uma entrevista com o autor e escute o EP no Soundcloud dele: www.soundcloud.com/eupauloreis.

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Fale um pouco sobre o processo de produção deste álbum, quem participou das gravações e como foi esperar por um ano para lançar um material completo?

Foi um ano de muito trabalho! Por muitas vezes eu achei que não fosse conseguir concluí-lo, não fosse o Kelwin Grochowicz (2K Estúdio). Com as prés (produções) em mãos a gente trabalhou, trabalhou e trabalhou! Kelwin sabe tirar leite de pedra! Tirando a gente, eu pude contar com a participação da Andréa Michailiszen, que cantou em “Valsa para Inocência”, do EP2, minha faixa predileta por sinal.

Porque você escolheu dividir os dois trabalhos em dois EPs, e não fazer um álbum completo com todas as faixas? O que, na sua opinião, difere tanto um do outro?

As ideias mudaram muito no decorrer do trabalho. Inicialmente sairiam 4 faixas e ai outras músicas foram nascendo, evoluindo e no fim analisando o conteúdo e a estética das canções nasceu o conceito do volume 1 e volume 2. Na minha cabeça o EP1 (‘Queda’) tem como instrumento central a guitarra e por sua vez baixo e bateria. Já no EP2 (‘Pardal’) o instrumento central é o violão e por sua vez os instrumentos de arco e outros arranjos. Poderiam estar num mesmo CD, mas o conceito na arte gráfica acabou por ser decisiva.

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Você faz referências em algumas faixas a sua cidade, São Francisco do Sul. Como o cotidiano de uma cidade relativamente pequena e litorânea influencia nas suas composições?

Nasci em São Chico, são 35 anos vivendo aqui. É uma cidade linda e difícil, então é amor e ódio. Um prato cheio pra inspiração!

Pretende levar este trabalho para os palcos? Há pretensão da formação de uma banda para apresentação destas e de outras músicas de sua autoria?

Pois é, boa pergunta! Inicialmente não havia pretensão, mas no momento há alguma possibilidade.

Com relação a produção de um material físico do EP, também é algo que está nos seus planos?

Está e muito, desde o início! Seria perfeito ver o material prensado, mas meus recursos se esgotaram na produção, então a prensagem terá que esperar (por tempo indeterminado).

A uma certa distância, a cena musical de São Francisco parece ter dado uma diminuída na quantidade de shows e festivais em relação há alguns anos. É certa esta constatação? O que tem acontecido em São Chico em termos de produção independente?

Eu estou há quase 2 anos afastado da gestão cultural, isso me deixa meio por fora de como realmente está a cena no momento. Não sobrou muito tempo pra analisá-la com propriedade. Mesmo sem muita atenção eu vejo muitas bandas anunciando seus shows nos canais de internet. Outra coisa que posso te falar é que no 2K Estúdio e Calabouço Records a coisas estão a mil por hora. Diversos artistas independentes e de diversos estilos ensaiando, gravando e produzindo. O autoral está borbulhando! Tiago Constante, Pedro Denis, Death King, Entidade Ilicita, Clã do Subúrbio e Makavélico são só alguns dos artistas que lançaram recentemente material autoral.

Porém, como em outras várias cenas independentes por ai, a nossa sofre de deficiências, tem vários buracos na cadeia produtiva. Isso impede o avanço em vários estágios da produção artística, e requer tempo para ser resolvida. Acredito num boom em algum momento na nossa cena.