Lenzi Brothers lança sétimo disco da carreira neste sábado. Confira uma entrevista com Marzio Lenzi

“Bandas de verdade ainda fazem discos”. Este é apenas um dos pensamentos sobre ter uma banda de rock que o articulado frontman da Lenzi Brothers, Marzio Lenzi, tem a apresentar aos leitores do Válvula Rock em uma rápida entrevista para falar o novo álbum do grupo, “4 Rodas no Chão”. O sétimo disco completo do trio será lançado oficialmente neste sábado na fan page da banda (clique aqui). Também no sábado, a banda faz o show de lançamento no Galeria Bar, em Lages (saiba mais aqui).

Com mais de 15 anos de estrada, a Lenzi Brothers é um ícone do rock autoral catarinense que segue acumulando milhagens. Dividido entre Lages e Balneário Camboriú, o grupo ainda se reúne para shows esporádicos, ensaios e gravações. O álbum que será lançado neste sábado foi gravado na Serra Catarinense no mês de dezembro e conta com 14 faixas. Uma das músicas já foi lançada na web e você escuta logo abaixo. Confira também o bate papo com Marzio na íntegra.

Como foi o processo de produção e gravação do novo disco? Alguma novidade em relação aos álbuns anteriores?

A novidade foi termos feito em família (mais em família ainda do que normalmente é). Temos um primo, o Steffan Duarte, que foi pra Londres há 7 anos, estudou áudio 2 anos e resolveu ficar por lá. Mas uma vez por ano ele vem visitar a família e numa dessas gravamos nosso disco. O processo foi o que alguns podem chamar de gravação caseira, mas o resultado nos agradou mais que muito estúdio profissional por aí. Ele trouxe seu home estúdio, levei o meu, misturamos tudo no meio da casa do meu tio em Lages e o resultado é o “4 Rodas no Chão’. Outra novidade foi o Eliezer Fagundes mandando ver nas teclas.

Trio durante a gravação 'caseira' do disco.
Trio durante a gravação ‘caseira’ do disco.

Hoje em dia, com a internet, muitas bandas investem no imediatismo de singles e EPs. A Lenzi Brothers trabalha com o processo inverso. Para vocês, chegando no sétimo álbum, qual a importância de gravar um disco inteiro?

Ainda achamos legal parar e ouvir um disco inteiro com calma em casa ou no carro. Sabemos que hoje o público tem o chamado ‘deficit de atenção entre uma notificação de rede social e outra’. Imagine, se até pra comer, entre uma garfada e outra a geração apple tem de dar uma olhada em quem fez a última curtida, imagine sentar pra ouvir um disco. Acho que se a gente fosse fazer música pensando na nova geração, não faríamos rock´n roll.

Não que façamos músicas pra tios, não, fazemos pra todo mundo, mas depois de lançarmos 6 discos, aparecer com “um novo EP de 3 canções” ou o novo single não faria sentido. Acho muito importante fazer um disco, é uma obra completa, um single é como pintar um quadro só com os peitos da Monalisa. Um álbum sacia quem gostou do som da banda. Detesto quando descubro uma nova banda boa que me agrada, ouço uma música e quando vou atrás do restante, ele não existe. Bandas de verdade ainda fazem discos.

O título do disco, “4 Rodas no Chão”, sugere que a Lenzi Brothers está pronta para voltar para a estrada. Uma turnê de divulgação está nos planos? Como vocês administram hoje em dia a vida pessoal de cada um com a agenda da banda?

Não, se rolar tour, maravilha, mas acho pouco provável, hoje em dia banda independente autoral com tour de 20 shows para divulgação, é só quem paga pra tocar e não temos mais 25 anos de idade pra isso. O título do disco tem haver com o fato de que durante mais de 10 anos, em uma fase intensa da banda, viajei trocentas vezes de Lages para Balneário Camboriú pela BR-282 para compromissos com a Lenzi Brothers.

Todo esse asfalto impregnou na minha mente e acabei compondo várias músicas com esse tema. Inevitavelmente, nos tornamos adultos e tornou-se mais difícil fazer 80 shows por ano enlouquecidamente como antes. Hoje com família, o carnê de financiamento da casa própria e a fatura do cartão de crédito, tivemos de dividir a banda com outras atividades ligadas à sobrevivência. Mas tenho planos de voltar a morar no litoral e as coisas vão ferver novamente.

Capa do novo disco ilustra as viagens de Marzio para o Litoral.
Capa do novo disco ilustra as viagens de Marzio para o Litoral.

A grande maioria das composições do disco são suas. Existe alguma música preferida neste álbum ou todas tem o mesmo valor pra você?

No início todas tem o mesmo valor, mas com o passar do tempo sempre tem aquelas que dão mais alegrias e aí a opinião muda.

 

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